“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Amyr Klink

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O astro rei surgia com seus feixes de luz e calor tocando a água, o barco e além dos corpos físicos nossas almas. De beleza exuberante encantava o seu brilho na lagoa que hora era escondido pela genoa ao arribar e adernar, hora era exibido ao orçar. O vento limpo e refrescante à barlavento impulsionava o pequeno Tortuga deixando uma leve espuma à sotavento. O pensamento alternava entre rumo a tomar, velas a trimar, sucessivas comunicações de rádio entre pescadores, redes de pesca no caminho, o café que preparava, o conforto do amigo que timoneava e a amada que ficara em terra.
Seguíamos aproados ao sol. O destino? Ponta Rasa, São José do Norte, um pequeno paraíso na costa leste da lagoa dos patos com altas dunas de areia fina e extensa mata de pinus.
E assim o coração tranquilo trabalhava seguro do sucesso da singrada, outras vezes já realizada...

Cmte. Anderson Chollet

Gratidão

"...Senhor, muito obrigado, pelo que me deste, pelo que me dás!
pelo ar, pelo pão, pela paz!
Muito obrigado, pela beleza que meus olhos vêem no altar da natureza.
Olhos que contemplam o céu cor de anil, e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil!
Pela minha faculdade de ver, pelos cegos eu quero interceder, por aqueles que vivem na escuridão e tropeçam na multidão, por eles eu oro e a Ti imploro comiseração, pois eu sei que depois dessa lida, numa outra vida, eles enxergarão!
Senhor, muito obrigado pelos ouvidos meus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, a dor e as lágrimas que escorrem no rosto do mundo inteiro.
Ouvidos que ouvem a música do povo, que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e não se esquece nunca mais.
Diante de minha capacidade de ouvir,
pelos surdos eu te quero pedir, pois eu sei, que depois desta dor, no teu reino de amor, eles voltarão a ouvir!
Muito obrigado Senhor, pela minha voz!
Mas também pela voz que canta, que ensina, que consola.
Pela voz que com emoção, profere uma sentida oração!
Pela minha capacidade de falar, pelos mudos eu Te quero rogar, pois eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão!
Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham.
Mãos de caridade, de solidariedade. Mãos que apertam mãos.
Mãos de poesias, de cirurgias, de sinfonias, de psicografias, mãos que numa noite fria, cuida ou lava louça numa pia.
Mãos que a beira de uma sepultura, abraça alguém com ternura, num momento de amargura.
Mãos que no seio, agasalham o filho de um corpo alheio, sem receio.
E meus pés que me levam a caminhar, sem reclamar.
Porque eu vejo na Terra amputados, deformados, aleijados...e eu posso bailar!!...
Por eles eu oro, e a ti imploro, porque eu sei que depois dessa expiação, numa outra situação,
eles também bailarão.
Por fim Senhor, muito obrigado pelo meu lar!
Pois é tão maravilhoso ter um lar...
Não importa se este lar é uma mansão, um ninho, uma casa no caminho, um bangalô, seja lá o que for!
O importante é que dentro dele exista a presença da harmonia e do amor!
O amor de mãe, de pai, de irmão, de uma companheira...
De alguém que nos dê a mão, nem que seja a presença de um cão, porque é tão doloroso viver na solidão!
Mas se eu ninguém tiver, nem um teto para me agasalhar, uma cama para eu deitar, um ombro para eu chorar, ou alguém para desabafar..., não reclamarei, não lastimarei, nem blasfemarei.
Porque eu tenho a Ti!
Então muito obrigado porque eu nasci!
E pelo teu amor, teu sacrifício, tua paixão por nós,
Muito obrigado Senhor!"

Amélia Rodrigues



segunda-feira, 30 de maio de 2016



7h da manhã; acordei na cama de proa naquela manhã nublada de sábado. O vento na casa dos 20 nós fazia barulho lá fora. Uma librina completava o cenário perfeito para voltar ao saco de dormir, mas estava decidido a navegar e a expulsar o vilão invisível chamado stress que me torturava a dias com taquicardia, dor no peito e hiperventilação.
Betabloqueadores, ansiolíticos e anti-inflamatórios; Óh admirada farmacologia! Desta vez nem tu estavas sendo eficaz. Então parti para o melhor remédio disponível no momento. Motor aquecido, velas preparadas, VHF ligado, anorak vestido, amarras soltas e logo parti dispensando até mesmo o adorável café matinal. O vento jogava aquele spray fino de água fria no rosto. Ahh porque eu não continuei seco e aquecido no saco de dormir? O questionamento deu o ar da graça ao me afastar da zona de conforto.
Saindo da calmaria do arroio Pelotas e entrando no canal são Gonçalo onde icei velas, desliguei o motor e segui contra a correnteza e o vento rumando para o Campus porto onde estaria logo mais em aula, minha amada.
O vento soprava, o barco adernava, pouca altura eu ganhava, mas o coração aliviava conforme navegava e dela me aproximava.
Mensagem enviada, buzina acionada e da sacada ela acenava empolgada.
Escotas caçadas, velas enfunadas, mãos agitadas... me preparava para a arribada e seguida empopada.
Após breve despedida com o Tortuga acelerado pela correnteza eu retornava à tranquilidade do arroio Pelotas.
Velas arriadas, âncora lançada, em uma curva acentuada o almoço eu preparava.
Logo mais o céu abria enquanto novamente eu dormia e o barco sacudia com as ondas deixadas por outras embarcações.
No meio da tarde, após cochilo renovador, retornei ao recanto com o coração manso e finalmente sem dor...

Cmte Anderson Chollet

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Navega comigo morena!



Navega comigo morena!
Navega no meu barco, no meu beijo, no meu corpo, na minha história, na minha vida.
Vem novamente ver o sol beijar o horizonte e a lua iluminar a nossa noite;
O nosso calor duelar com o frescor da madrugada enquanto abraçados no convés desejamos que o tempo passe mais lentamente.
Soltar amarras que nos prendem a passados pesados e viver o presente leve como as velas que enfunam em suave brisa.
Vem comigo morena unir forças, desejos e sabedorias no manejo do leme da vida buscando nos equilibrar como no barco em orça trabalhamos o adernamento com o contrapeso.
Trimar nossa sintonia como o regatista dedicado trima constantemente o velame da embarcação em busca de harmonia e seguimento.
Levar nossos corações aos estaleiros da alma e construirmos o amor.
Continue assim ao meu lado morena, pois tu és vento que preciso em minhas calmarias e calmarias que procuro em minhas tempestades.
Cmte. Anderson Chollet.

" ...Um raio, uma faísca do Vosso amor, pode abrasar a Terra; " ( Cáritas) - Foto: Rosana Ávila Pereira.

Bom humor a bordo do Tortuga from Anderson Chollet on Vimeo.